Talibã domina o Afeganistão e cria cenário trágico de guerra em Cabul
O Talibã assumiu o controle do Afeganistão após invadir o palácio presidencial em Cabul e obrigar o presidente Ashraf Ghani a fugir do país, passando por cima das duas décadas de presença militar dos EUA no território e de uma guerra que custou mais de um trilhão de dólares.
“Hoje é um grande dia para o povo afegão e os mujahideen [Talibã]”, disse o porta-voz do Talibã, Mohammad Naeem. “Eles testemunharam os frutos de seus esforços e sacrifícios por 20 anos. Graças a Deus, a guerra acabou no país.”
A queda de Cabul para o Talibã acontece após a rápida retirada das forças dos EUA neste verão. Nas últimas semanas, as principais cidades e regiões do país caíram nas mãos dos insurgentes a uma grande velocidade, e a dominação de Cabul é vista como uma forma de selar efetivamente o controle do Afeganistão.
Nesta segunda-feira (16), um grande tumulto está sendo registrado no aeroporto de Cabul, e de acordo com o jornal norte-americano The Wall Street Journal, já existe confirmação de pelo menos três mortes por arma de fogo no local. Já a agência de notícias Reuters cita relatos de testemunhas que apontam cinco pessoas mortas. A população está tentando desesperadamente deixar o país, seguindo os passos do presidente após o palácio ter sido dominado no domingo (15).
O Talibã foi retirado do poder em 2001, quando os EUA atacaram o Afeganistão em represália ao fatídico atentado do 11 de setembro. Desde então, as tropas americanas permanecem ativas no país, situação que seria modificada após o acordo de paz com o Talibã firmado em fevereiro de 2020 pelo ex-presidente Donald Trump, prevendo retirada total das tropas do país em abril de 2021. Biden manteve a decisão mas adiou a saída completa para o final de agosto.
A maior parte das forças norte-americanas começou a deixar o Afeganistão em julho, abrindo margem para a rápida dominação do Talibã em Cabul, antes do que era previsto pelas autoridades dos EUA.